Todo
o inicio é um dilema,a interna procura, sem jeito, de encontrar um pouco de
nada que faça de nós especiais. Queremos pregar em nós a concepção errada de
que ultrapassamos a linha do plebeu, e que somos capacitados para primar com
competências únicas neste mundo.
Vivemos na ilusão de que dentro de
nós há sempre algo mais especial do que a nossa transparência permite
visualizar, e uma idoneidade moral que nos permite destacar.
Aos meus olhos, concedo ao homem uma
basta intelectualidade, vejo em cada ser a capacidade psíquica para facultar a
mais célebre epopeia, a mais cavernosa dissertação,a mais colossal poesia. Vejo
em cada um de nós a capacidade inerente de fazer história, a natural capacidade
de dar vida,de vive-la, e de preservar o que dela resta. Temos em nós toda a
força do mundo, já diziam vários poetas, falta-nos é a capacidade de as fazer
emergir.
O que distingue o génio do maluco,o
bem sucedido do mal sucedido, o rico do pobre,o válido do inválido, é a
capacidade que este tem de precipitar as ideias que ao longo dos anos saturou.
É a capacidade inerente a cada um de nós, de intelectualizar e racionalizar as
emoções e saber transmiti-las.
Hoje a minha tarefa é essa, tentar
extrair de mim o pequeno sábio que ambiciono ter (como qualquer cidadão!),
extrair o pequeno génio intelectual que ambiciono ser. Contudo resigno-me a mim mesmo. Sou
apenas um modesto estudante universitário que procura um espaço para si mesmo,
onde possa dissertar, exprimir-se e despir-se de todos os preconceitos. Como tal,
e deixando a primeira pegada, penso que não haverá melhor tema que o forte
dilema do primeiro passo seguindo de uma análise lacónica da concepção que cada
um de nós tem acerca daquilo que representamos para o Mundo.
